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Vanessa Ziesmann

Egressa do curso de Artes

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Ana Perucia

Acadêmica de Publicidade e Propaganda

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RENATA LEPAGE: MACROFOTOGRAFIA ABSTRATA

Fotógrafa fala de suas motivações e dos desafios encontrados na profissão

18 de novembro de 2020

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Vanessa Ziesmann

Egressa do curso de Artes

POR:

Ana Perucia

Acadêmica de Publicidade e Propaganda

Graduada em Direção de Arte pelo SENAC (SP) no ano de 1992 e em Arquitetura com Especialização em Design Gráfico pela FAU – USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo) em 1993. Renata Lepage já em 1987 buscava conhecimentos técnicos na área de fotografia e foi na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo que adquiriu interesse por fotografias abstratas.

 

Lepage utiliza como aliada em suas composições a técnica da macrofotografia, captando formas que não são possíveis observar a olho nu em objetos do cotidiano e evidenciando ângulos alternativos dos mesmos.

Renata Lepage em autorretrato

A fotógrafa foi contatada pela acadêmica do curso de Artes Visuais do Centro Universitário Univel, Vanessa Ziesmann e seu orientador Anderson Costa, para participar do trabalho de conclusão de curso, entitulado “A fotografia abstrata de Renata Lepage: As possibilidades expressivas da macrofotografia”.

 

Por meio de um questionário, Renata conta sobre o seu trabalho, processo criativo e inspirações, compartilhando sua experiência no mercado fotográfico.

Como foi a inserção no mercado fotográfico com a utilização da técnica da macrofotografia? Houve muitas dificuldades?

Renata Lepage: O mercado para esse tipo de fotos é praticamente inexistente. Eu me inseri no mercado através de fotografia de produto, e junto às fotos normais eu também ofereço versões mais artísticas do objeto fotografado, entre elas macros e abstratos. A aceitação dessas fotos é muito boa quando ofertadas dessa maneira, de forma que quase todos os clientes acabam comprando também esse tipo de foto. Quanto ás fotos artísticas, elas são comercializadas da mesma forma que as demais fotos e com aceitação semelhante, mas eu vendo muito mais para o mercado europeu do que para o brasileiro. Quase todas as fotos foram vendidas diretamente ao consumidor final, sem intermédio de outros agentes, e os clientes chegaram a mim através da internet, mais precisamente das redes sociais e, entre essas, a maioria pelo Flickr. As dificuldades são imensas, uma luta constante especialmente em relação ao mercado brasileiro. Existe um grande preconceito em relação à macrofotografia. Já ouvi muitas vezes comentários de pessoas que supostamente entendem de fotografia dizendo que macro não é autoral porque quem faz é o equipamento. Discordo fortemente desse tipo de postura e acredito que é um recorte da realidade como qualquer outra fotografia e por ser um recorte depende unicamente do ponto de vista do fotógrafo e isso é totalmente desvinculado do equipamento. Para mim, as pessoas que defendem que o equipamento faz a macro, na verdade, só entendem como fotografia autoral as de cunho social e por isso as imagens produzidas por essa técnica lhes são estranhas.

 

O que você busca passar por meio de suas imagens?

Renata Lepage: Eu busco mostrar outros mundos, outras dimensões dentro da nossa realidade, outras escalas e visões alternativas ao mundo onde vivemos. Pessoalmente acredito que mostrar excessivamente o lado realista e brutal da nossa sociedade banaliza essa violência social em que vivemos. Acho importante que existam fotógrafos que foquem seu trabalho no lado cruel da nossa realidade, mas quando praticamente todos fazem isso o resultado final é o oposto do pretendido, dessensibilizando o observador. Por isso eu tento mostrar que ainda existe beleza no mundo e que ela também pode estar presente nas menores coisas.

 

Você considera suas macrofotografias obras abstratas?

Renata Lepage: Uma grande parte do meu trabalho atual é abstrato, não sua totalidade. O abstrato apareceu no meu trabalho autoral aos poucos e a cada dia se torna mais presente. Na minha fase atual é o tipo de fotografia que mais me dá prazer ao produzir. Mas olhando toda a minha produção ao longo dos meus mais de 30 anos de fotografia autoral, ainda é uma parte menor.

Qual sua motivação inicial para a utilização da técnica da macrofotografia?

Renata Lepage: Comecei com a macrofotografia por curiosidade. Na verdade, a curiosidade é uma das minhas forças motrizes em praticamente todas as áreas da minha vida. Na macro achei um universo de possibilidades maior que na foto convencional porque quanto menor o recorte mais possibilidades de composição. Basta olhar a sua volta, com recortes pequenos qualquer ambiente, objeto ou situação permite uma enorme quantidade de composições expressivas diferentes. Ainda, depois de mais de 30 anos, me sinto muito longe de esgotar o potencial da macro e isso me motiva a continuar. Acho que nunca vou me cansar de produzir esse tipo de fotografia.

 

Você se inspira em algum artista para a criação de suas imagens? Qual (is)?

Renata Lepage: Sim, sempre existem alguns artistas que tocam o coração da gente. Entre os meus preferidos estão: Man Ray, Edward Weston, Monet, Pollock e Piet Mondrian.

 

Como se dá o processo de criação de suas imagens?

Renata Lepage: Meu processo criativo se dá em 3 partes básicas. Preparação e captura da imagem, descanso e processamento. Na captura da imagem posso estar movida por um tema ou assunto, nesse caso, eu faço uma pesquisa prévia e um período de maturação da ideia seguida de um planejamento geral do processo da captura e depois disso acontece o clique. Nessa parte pode ou não acontecerem esboços e planejamentos escritos dependendo da complexidade do tema ou local da captura. Depois disso eu deixo as imagens dormirem por um tempo variável até que eu me desvincule emocional e racionalmente do processo da captura. Esse período pode variar de semanas a anos. Depois do período de hibernação da imagem eu faço o seu processamento digital. O processamento em si depende do tipo de imagem que pretendo gerar e da relação entre a minha ideia e a imagem captada. Essa parte começa com uma seleção das imagens a serem tratadas porque eu fotografo muito mais frames do que eu pretendo usar pro trabalho final. Faço isso para ter mais opções pra escolha da imagem que represente mais perfeitamente a ideia. Depois de selecionadas, passo para o tratamento com programas de edição.

 

Qual (is) o (s) tema (s) que você mais gosta de retratar em suas fotografias macro?

Renata Lepage : Meu tema principal é o abstrato. Gosto de desconstruir o objeto (ou local) ao ponto de ficar quase irreconhecível. A minha intenção é desmanchar ideias preconcebidas, mostrar que tudo pode se transformar em algo diferente. Quando não estou fotografando abstratas, minhas macros têm a intenções de subverter escalas e assim imagino como veria o mundo se meu tamanho fosse diferente da escala humana. Faço assim um exercício de imaginação.

 

Gostou da macrofotografia e do trabalho da Renata Lepage? Acesse o Flickr da fotógrafa e conheça um pouco mais todas as suas composições abstratas.

 

 

Clique aqui para acessar o Flickr da fotógrafa Renata Lepage.

 

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