Exposição TRAJETÓRIA - A ARTE MAIOR DO ARTISTA BRUGNERA

 

Telefone – 2020 – grafite sobre MDF e verniz automotivo – 45cmx60cm

Nos anos 70, a produção artística de ponta produzida no país restringia- se ao eixo Rio- São Paulo. Pouquíssimas cidades brasileiras, como Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife, possuíam núcleos de artistas contemporâneos, que, resultantes de iniciativas individuais pioneiras,não chegavam a configurar polos alternativos ao centro cultural do país. A partir da década seguinte, começou uma lenta, mas crescente descentralização da produção artística contemporânea brasileira que transbordou do eixo Rio- São Paulo……Essa transformação histórica no ambiente artístico brasileiro, ainda em curso, está longe de seu término e até agora se restringiu, sobretudo, ao âmbito das capitais estaduais…O caso Luiz Carlos Brugnera é raro na história recente da arte brasileira, e sua trajetória, uma das mais bem- sucedidas dentre aquelas dos artistas surgidos na década passada…Brugnera não só vem desenvolvendo sua obra na cidade de Cascavel, interior do Paraná, como não teve qualquer formação artística específica.Iniciada a cerca de 12 anos, a obra de Luiz Carlos Brugnera foi dividida pelo próprio artista em quatro conjuntos que constituem frentes de trabalho ou experimentação específicas, surgidas em tempos diversos, mas muitas vezes desenvolvidas simultaneamente: Desenho e Outros (reúne os trabalhos em grafite sobre o papel e experiências deles decorrentes, como nas obras Vida, Buraco do Sofá, 3912, 104, etc.); Casa( trabalhos tridimensionais, às vezes de teor instalativo, derivados da memória de fragmentos da casa: Assoalho e Rodapé, Portas de Correr, Azulejo, Colunas, etc.); Varais Micro e Macro( esculturas que remetem a fusos de tecelagem que evocam memórias domésticas), finalmente, Moto ( desenhos sobre motocicletas)….
Rio de Janeiro, agosto 2006
Fernando Cocchiarale
Crítico de Arte e Curador do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

… ele me lembra Leonardo Da Vinci, com suas pinturas alisadas pelos dedos, que ainda conservam algumas das digitais do mestre do Renascimento. Nos dois artistas não há gestualidade, os movimentos são contidos, os traços são quase não- traços transformados em névoa, em brumas fugidias. E  a comparação entre eles continua com o emprego do diáfano trabalhado à perfeição em estratificações sucessivas, a apreensão do realismo na obra e, principalmente, a incorporação do tempo na longa e árdua execução da arte. No entanto, o resultado de Leonardo apresenta uma característica aérea, transparente, e a fatura de Brugnera se mostra sólida, extremamente bem construída sua marca pessoal.
Ambos os magos, porém, compartilham de um trabalho paciente com maestria, de domínio dos materiais e de extrema habilidade na elaboração das formas. Mas, ao passo que o Leonardo retrata a paisagem, inserindo seus personagens em cenários- mimeses da realidade- Brugnera, no desenho, destaca somente os elementos centrais, representados pela temática figurativa.
Curitiba, novembro de 2006
Nilza Knechtel Procopiak
Critica de Arte.

TRAJETÓRIA

BIOGRAFIA

Brugnera – Luiz Carlos (Espumoso,RS – 1966).

Filho de Helena Ross Brugnera e Eoclides Brugnera. Pai de Simone Portela Brugnera. Em 1980 mudou-se de Passo Fundo, RS para Cascavel, PR. Exerceu a profissão de Serígrafo Publicitário de 1980 a 1995.

Autodidata, iniciou suas atividades artísticas em 1994, vive e trabalha em Cascavel e Curitiba.

Desenvolveu trabalho de coordenação, consultoria e assessoria cultural para a Prefeitura Municipal de Cascavel no período de 1994 a 2012.

Em 1998 recebeu voto de louvor da Câmara Municipal de Cascavel, homenagem por ações na área cultural.

1994 integrou o grupo fundador do Museu de Arte de Cascavel (MAC).

1994 foi um dos organizadores da 2ª Edição da Bienal Vento Sul, atual Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba.

Curador independente, Gestor e Produtor Cultural, expógrafo e montador para espaços expositivos, Parecerista, Monitor, Diretor de Fotografia, Editor de Publicações Culturais, Orientador em Eventos e Júri de Salões de Arte e Música.

Foi vice-presidente do Instituto Paranaense de Arte (IPAR), atualmente é o Diretor Secretário da Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba.

Curador da Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba, 2013, 2015, 2017, 2018 e 2019.

Curador Oficial da Mostra Sul, desde seu início 2014 (Arquitetura e Arte Contemporânea).

2019 Curador da Coordenação do Sistema Estadual de Museus (COSEM) Governo do Paraná

Recebeu prêmios individuais em 42 salões de artes oficiais.

Contato: [email protected]

Foto: Claiton Biaggi

























Telefone - 2020 - grafite sobre MDF e verniz automotivo - 45cmx60cm